A vela em Luanda
A regata Cabo Rio
A vela de pequenas embarcações (snipes, finns e outros), tinha, desde a década de cinquenta, razoável divulgação, em Angola, produzindo alguns campeões nacionais e, até, europeus. Porém, a vela em barcos de maior dimensão (cruisers racers), só na segunda metade dos anos sessenta, começou a despertar. Com a realização das primeiras regatas Luanda/Lobito, os velejadores mais afoitos ambicionaram por uma representação angolana naquela que era, à época, a mais longa regata do mundo: a CapeTown/Rio de Janeiro (“Cape to Rio Race”). Escolhido um barco (um Pioneer 10) construído em um dos melhores estaleiros, da Europa (E.G.Van de Stadt, de Amesterdão), este chegou a Luanda em princípios de 1972 e logo se iniciaram os treinos intensivos (barco e tripulação), que se prolongaram por cerca de oito meses. A tripulação era composta por seis elementos incluindo o seu skipper Humberto Baptista da Costa. Chegada do Patrícia à Cidade do Cabo O “Patrícia II” (o barco em causa), seria, segundo o entendimento actual, um cruiser race pequeno, cujas medidas obedeciam às mínimas permitidas em regatas transoceânicas. A vontade de se estar presente em tão importante competição, superou insuficiências e receios e, a 13 de Janeiro de 1973, pela vez primeira, uma representação angolana tomava parte em uma regata oceânica: de Cape Town partiu-se à aventura, na tentativa da vela angolana atingir a sua maioridade. A importância que a África do Sul dava ao desporto da vela chegou ao ponto de o Mayor da Cidade de Cape Town instituir o dia da grande largada como feriado municipal: calculou-se que, da Marginal, estariam a assistir cerca de 200.000 pessoas.
Largas centenas de barcos de recreio, de pesca e outros, bem como helicópteros e avionetes, infernizavam as manobras dos cerca de sessenta veleiros, que aguardavam pelo tiro de largada. Emocionante e arrazador ! O “Patrícia”, na primeira semana da regata, chegou a estar em 5º. lugar, mas a brusca mudança de direcção da alta pressão do Atlântico Sul, imobilizou-o durante três longos dias (o mesmo aconteceu ao barco dos E.U.A., que acabou por desistir). Sob um calor tórrido sucederam-se borrascas tropicais, com ventos da ordem dos 50 nós (90 kms./hora). O esforço dos tripulantes só era superado pelo seu entusiasmo.
Após quase trinta dias de viagem, sem escala, o “Patrícia II” terminou em 28º. lugar e, numa pequena regata, dita da amizade, realizada na Baía de Guanabara (em que participaram não só os barcos da Cabo/Rio como inúmeros outros, locais), alcançou o 1º. lugar, da sua classe. Hoje, com 72 anos (nasceu em Luanda, em 1936), Humberto Baptista da Costa, recorda, com saudade, a longa luta encetada para a expansão da vela oceânica, angolana, e lamenta não se ter proporcionado a realização, em 1975 (Centenário da Cidade de S. Paulo de Luanda) da regata Luanda/Rio de Janeiro, cujos trabalhos haviam sido iniciados em Agosto de 1973.
Tripulação do Patrícia II lê o correio no Rio de Janeiro após a chegada.Baptista da Costa responde aos órgãos de informação sobre questões relacionadas com a Regata Cabo Rio
Nota da Redacção:
Humberto Baptista da Costa foi membro de várias direcções da Casa de Angola de Portugal tendo falecido em Julho de 2009 sendo a essa data Vice- Presidente da Mesa da Assembleia Geral.
José Manuel Tocha
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